
A todo momento em toda parte do mundo seres humanos conspiram acerca de como deveria ser o futuro. Cada pensamento, individualista ou altruista, acerca do que cada um deseja para si, pretende lançar no mercado ou pretende fazer nos meses seguintes, constrói um cenário possível no ambito dos acontecimentos, da cultura e da história de nossa civilização.
É deste tipo de pequenas histórias que foi feito o passado e é através dos micro planejamentos e maquinações das mentes do passado que adveio o mundo como o conhecemos… o Futuro Presente.
Cada um de nós é um universo de história, um fragmento da história do Universo…
“Não estivesse Cris Dias em Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001, não tivesse Cora Rónai lido o que ele postou no www.crisdias.com, não tivesse o nosso amigo criado a empresa de hospedagem Vilago, montes de blogueiros que foram seus clientes jamais teriam se conhecido da mesma forma ou se transformados em tão grandes amigos.”
E ainda que as coisas tivessem se encaminhado de forma semelhante, o epifenômeno que é Cris Dias – assim como o epifenômeno representado por cada um de nós – tem função e importância intrínseca na manutenção de um Futuro imponderável mas igualmente fascinante.
Somos, todos, instrumentais na construção dos próximos minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, não só de nossas vidas, mas no Futuro em potencial de cada ser humano sobre o planeta, deixando uma “pegada-cronológica” maior ou menor mediante não só nossa importância no contexto geral das coisas, mas mediante a medida de nossas ambições, nossos sonhos e mediante a posição de todas as outras peças deste tabuleiro colossal e magnífico chamado História.
Como consequência, a importância do indivíduo na História é incospicuamente enorme e inusitadamente relevante para uma disciplina que talvez não faça sentido para além da esfera do Retrofuturismo, mas que, ainda de forma nada pragmática, permeia a história dos acontecimentos de forma irrefutável e irrevogável.
Reconhecida a importância do indivíduo que apoiou o indivíduo, do indivíduo que fez independente da falta de apoio ou do indivíduo que, ao deixar de fazer algo, inadvertidamente abriu caminho para que algo de maravilhoso acontecesse, se reconhece o valor intrínseco daquele indivíduo que, no passado, pensou não só a bobina elétrica ou as caldeiras a vapor, mas da pecinha que tornou possível encaixar alguma coisa em outra, da frase que inspirou outro sujeito a escrever um livro cheio de outras frases encadeadas ou do conceito que elevou alguma coisa à condição de outra coisa, assim mudando todo o mundo.
Uma Paleofuturologia – essa pseudo-ciência passional e ontológica – teria de olhar, para o ser humano e para as coisas, de forma especial, a ponto de vislumbrar-lhes um valor e um potencial de tal dimensão que inspirasse os interessados nesta disciplina a reputar à condição humana a sua verdadeira e irreconhecida importância.
E se o Presente foi construído por cada um daqueles desconhecidos pioneiros que jamais conseguiram chegar às páginas da História, que ao menos passemos a saber que o Futuro depende de cada um de nós, estejamos com os dedos sobre teclados que escrevem textos como este ou com uma das mãos sobre um mouse que nos faz percorrer avidamente as páginas de um website.
Isto deveria colocar em perspectiva a importância de cada um dos nossos atos no dia a dia e nos fazer refletir acerca da relevância de cada uma de nossas atitudes para o futuro das pessoas e das coisas.

Nagib Orro
Gostei de ler o texto acima….Meus pensamentos passeiam pelo mesmo caminho…